Mostrando postagens com marcador 5 Patriotas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 5 Patriotas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

5 heróis: Obama e a herança desonrosa deixada por Clinton

Por Wilkie Delgado Correa *

Obama triunfou sob o signo de mudanças prometidas para o bem de seu país e do mundo. Talvez nenhum outro presidente dos Estados Unidos tenha recebido um legado tão negativo quanto o que George Bush deixará. Porém, por ocasião da transferência de cargo, Obama receberá heranças recentes dos mandatos de Bush e outras, de mais longa data. Uma dessas é a relacionada com a prisão injusta dos 5 Heróis Cubanos, que por mais de dez anos permanecem nas prisões dos Estados Unidos. Essa é uma herança deixada por Clinton, que tem, sem dúvida alguma, uma natureza desonrosa tanto para a política quanto para a ética do governo democrata daquele tempo e também no futuro.

Obama encontra-se diante de uma realidade que atinge a vida de 5 seres humanos excepcionais que continuam injustamente nas prisões estadunidenses. A solidariedade mundial em defesa da causa desses heróis confere-lhe uma transcendência que a opinião pública e nem o governo estadunidense não devem desconhecer. O significado desses 5 heróis para o povo cubano indica que não se trata de um assunto qualquer, mas, ao contrário, é uma causa sensível, um assunto vital que vale à pena levar em consideração e buscar solucionar.

Obama recebe uma herança desonrosa de Clinton porque este deveria ter dado uma solução digna a essa questão, a única que correspondia a um presidente honorável, ao abandonar seu cargo. No entanto, Clinton atuou covardemente, não honrou com seus atos, como devia, para dar a Cuba a única resposta merecida: a liberdade dos cinco cubanos acusados injustamente de ser espiões. Portanto, Clinton lavou as mãos e quase dez anos e meio depois Obama receberá o produto de uma atuação desonrosa e estará chamado, se de mudanças se trata no sistema de justiça, a pronunciar-se e a atuar com honradez.

Bill Clinton já não é presidente dos Estados Unidos e ofereceu, juntamente com Hillary, seu apoio irrestrito a Obama. Seria oportuno que ele se perguntasse por seu gesto tão pouco cavalheiresco em relação aos 5 heróis.

Como é conhecido, Gabriel García Márquez, Gabo, teve que converter-se em um enviado voluntário de Fidel Castro para impor ao presidente W. Clinton dos planos terroristas que eram organizados nos Estados Unidos para ser executados em Cuba e em outros países. Os fatos reais, incluído o próprio informe de García Márquez, foram revelados em sua oportunidade por Fidel Castro à opinião pública internacional. Em um artigo anterior, manifestei que se aquela mensagem de Fidel a Clinton tivesse sido tomada com a devida seriedade e alta visão de estadista, talvez houvesse servido para mudar a política de confrontação dos Estados Unidos contra Cuba; se houvesse sido valorizado em sua essência e integralidade, teria propiciado a ansiada paz nessa parte tão próxima da América, o Prêmio Nobel de Literatura García Márquez, por seu espírito humanista e altruísta, por ser mediador e promotor da paz em um conflito de mais de 45 anos, com justiça teria merecido o Prêmio Nobel da Paz. Porém, um acúmulo de grandes fatores não tornaram factível o esperado, apesar da recepção e acolhida inicial da mensagem, mas que fez com que o cântaro tornasse a cair na fonte. Por isso, esse assunto tem tanta importância como parte da história não contada e inexplicável da vida, das aventuras e desventuras do Gabo e das inconseqüências e desonras de Clinton.

Enfim, é grande o emaranhado que é possível vislumbrar desde um lugar onde somente impere a verdade.

Em que consistiu o impacto emocional, sentimental e ideológico de Clinton ante o conteúdo daquela mensagem transmitida pelo Gabo aos assessores de Segurança Nacional na Casa Branca? Qual foi sua reação ao conhecer o caráter da entrevista de Gabo, com certeza gravada e que o motivou ou decidiu enviar a Havana oficiais de alto escalão do FBI para conhecer em primeira mão o que desejavam informar as autoridades cubanas? Pensou por acaso naqueles dias que poderia aparecer no horizonte um clima melhor nas relações entre os Estados Unidos e Cuba? Que informações lhe chegaram posteriormente quando regressou a delegação do FBI aos Estados Unidos com uma carga volumosa de informações de alta sensibilidade e segurança, entregue em gesto de boa vontade e confiança pelas autoridades cubanas? Por que o FBI, em missão oficial do governo estadunidense, se comprometeu em também enviar informações às autoridades cubanas, porém isso nunca aconteceu? Qual foi a reação anímica do presidente Clinton diante da prisão, em Miami de cinco cubanos, acusados pelo FBI de ser espiões, somente três meses depois da visita da delegação desse organismo a Havana? Quais foram as instruções, as análises, as avaliações de Clinton em todo esse processo de envio de uma delegação a Havana, de compromisso em responder e frear o terrorismo por parte dos Estados Unidos e, logo em seguida, a detenção dos cinco antiterroristas infiltrados em grupos mafiosos e terroristas de Miami, ou seja, os mesmos grupos sobre os quais o FBI havia recebido vasta documentação e provas de todo tipo sobre a natureza e sobre seus planos terroristas? Por que não fez nada durante os últimos meses de seu mandato para fazer valer suas prerrogativas e ordenar a libertação ou repatriação dos cinco cubanos? Por que manteve um silêncio cúmplice sobre um fato que estava intimamente relacionado com aquela mensagem que seu amigo García Márquez pretendeu fazer chegar pessoalmente?

Após tantos anos -mais de dez anos de prisão injusta são muitos anos para cinco homens-, como avaliou Clinton aqueles e esses acontecimentos? Quais foram os medos de Clinton? Não terá pensado Clinton sobre sua responsabilidade moral, após as condenações excessivas, arbitrárias e injustas contra os cinco cubanos? Será que nada significam mais de dez anos de prisão? Nada significa o fato de que eles não mentiram sobre sua permanência nos Estados Unidos e sobre sua missão de vigilância dos grupos terroristas anticubanos?

Enfim, que confissões ou testemunhos pode oferecer o presidente Clinton a Barack Obama sobre esses e outros fatos relacionados com a causa dos 5 heróis cubanos? Sua inação se justificaria porque também era um prisioneiro de seu próprio sistema e não tinha escapatória possível e, portanto, não podia ou não queria rebelar-se? Acaso não serão essas coisas, algumas das que devam mudar nos Estados Unidos durante o mandato de Obama?

Esperemos que Obama não perca o rastro das mudanças em tantos salões e corredores da Casa Branca e em todos os labirintos nos quais se move a vida de um presidente dos Estados Unidos.

Talvez possa honrar com sua atuação digna e com respeito aos 5 heróis cubanos a política desonrosa que sobre esse assunto recebeu como herança de Clinton.

* Doctor en Ciencias Médicas. Pr

Fonte: Adital
Tradução: Adital

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Dez anos de Injustiça em Miami

DEZ ANOS DE INJUSTIÇA EM MIAMI


A eleição presidencial dos Estados Unidos vem sendo acompanhada em todo mundo com os maiores espaços midiátcos. Mas nem todos os assuntos estão sendo abordados como deveriam. Há quem crie ilusões de que uma vitória de Barack Obama poderá trazer grandes mudanças no cenário internacional. Pode ser que os setores que ascendam à Casa Branca com a vitória do primeiro candidato afro-americano decidam até tirar o dedo do gatilho, tática preferida de George W. Bush depois do 11 de setembro. Se der McCain, tudo continuará como agora. A vice Sarah Palin, fazendo o gênero durona, repetirá o refrão de que a guerra é uma "missão divina" dos EUA ou que é possível uma guerra com a Rússia.

Mas um tema está bem distante das discussões e diz respeito às relações Estados Unidos/Cuba. A própria opinião pública estadunidense praticamente ignora o tema, que para sair na imprensa só mesmo como matéria paga.

Para se ter uma idéia, nesta sexta-feira passada, 12 de setembro, fez dez anos de uma das maiores injustiças jurídicas que se tem notícia nos últimos tempos. Estão presos, desde setembro de 1998 nos Estados Unidos, cinco cubanos condenados pela (in)Justiça de Miami a sentenças que variam entre prisão perpétua, 15 e 20 anos de detenção.

É uma história longa e envolve questões que o presidente Bush e agora o seu candidato preferencial falam a toda hora, ou seja, terrorismo. E quais os "crimes" que Gerardo Hernández Nordelo, Ramón Labañino Salazar, Antonio Guerrero, René González e Fernando González cometeram? Absolutamente nenhum. Os cinco foram acusados de serem espiões, quando na verdade nunca cometeram tal delito. Eles simplesmente encontravam-se nos Estados Unidos, de olho em grupos de exilados cubanos que vivem em Miami e praticam terrorismo na pura acepção da palavra. Não é de hoje que, de dentro de alguns grupos da comunidade cubano-americana de Miami, planejam-se atentados que têm por objetivo a derrubada do regime vigente na ilha caribenha. A história está plena de registros nesse sentido nos quase 50 anos. Segundo cifras que constam em documentos oficiais estadunidenses, atentados terroristas promovidos por grupos de extrema direita de Miami contra Cuba mataram 3.478 cubanos e 2.099 ficaram inválidos.

História longa e cheia de meandros - A história dos cinco presos cubanos na Flórida é longa e cheia de meandros. Em junho de 1998, portanto, em pleno mandato de Bill Clinton, o governo de Cuba entregou ao FBI uma farta documentação, mostrando com evidências as atividades terroristas planejadas por grupos anticastristas. Quase três meses depois, em 12 de setembro, as autoridades estadunidenses em vez de desativarem esses grupos, decidiram prender os cinco cubanos.

Os "criminosos" foram julgados por um suspeito Tribunal de Miami, saindo a absurda sentença. Na verdade, ocorreu um julgamento entre aspas, de cartas marcadas. Foram vistas no recinto do Tribunal figuras notórias do terror anticastrista. Agora, os advogados dos cinco cubanos estão tentando realizar um novo julgamento em um Tribunal de outro Estado, longe das pressões diretas da extrema-direita cubana de Miami, para que se faça justiça na verdadeira acepção da palavra. Um Tribunal de Atlanta, onde os advogados ingressaram com uma apelação confirmou a sentença, mas agora resta o remédio de apelar à Corte Suprema dos Estados Unidos. Na passagem dos 10 anos de prisão dos cinco foi lançada uma campanha mundial para que façam justiça e sejam libertados.

Em tempo de combate ao terrorismo, a bandeira de Bush e agora de McCain-Pallin, o silêncio em torno da questão dá bem uma idéia de como é absolutamente contraditória (será redundância em se tratando de Bush?) a política dos EUA, neste campo. George W. Bush e os seus falcões fazem discursos diários alertando sobre as mazelas do terrorismo, mas aceitam como fato consumado a injustiça contra os cinco cubanos que agiam apenas com o objetivo de evitar mortes e destruição.

Qualquer questionamento da injustiça cometida é respondido raivosamente pela comunidade cubano-estadunidense. Os candidatos acompanham o refrão e até preferem que o tema seja mantido longe da pauta das discussões.

Como se tudo isso não bastasse, os Estados Unidos não concedem vistos a familiares dos presos políticos cubanos, mas permitem que na Flórida circule na maior tranqüilidade o notório terrorista, Posadas Carriles, um dos responsáveis pelo atentado, em 1976, contra um avião comercial da Cubana de Aviação, nos céus da Venezuela, que resultou na morte de dezenas de jovens atletas cubanos que voltavam de uma competição desportiva em Barbados. Os Estados Unidos se negaram a atender a pedido da Venezuela em deportar Carriles, que com a ajuda da CIA, tinha fugido de uma prisão venezuelana, onde cumpria pena nos anos 80.

Se nos Estados Unidos a opinião pública não é praticamente informada sobre uma questão tão relevante como a prisão injusta dos cinco presos políticos cubanos, que dirá nos países onde a mídia conservadora é absolutamente majoritária.

Em tempo: até os postes de La Paz sabiam que o embaixador dos Estados Unidos na Bolívia, Philip Goldberg, foi nomeado para o cargo com o objetivo de ajudar os separatistas, como já fez na antiga Iugoslávia no final dos anos 90. Na Bolívia, Goldberg se intrometia em questões internas dando apoio a grupos de extrema direita da chamada meia-lua. Portanto, a expulsão ordenada por Evo Morales, ao contrário do que disse o governo Bush, não foi um "ato de desespero", mas uma medida de profilaxia. Na Venezuela, o embaixador estadunidense Patrick Duddy não agia diferente. Por isso, e por solidariedade a Morales, Hugo Chávez mandou também embora o representante de Bush.

Fonte: Direto da Redação

Comentário Caia Fittipaldi

Muito bem lembrados, aqui, os cinco cubanos que permanecem presos em Miami, acusados de espionagem.

Semana passada fui a uma reunião do Comitê Paulista de Apoio a "Los cinco héroes", como os cubanos os chamam -- e nunca o esquecem.

São: Antonio Guerrero, Gerardo Hernández Nordelo, Fernando González, Ramón Labañino Salazar e René González.

Em São Paulo, o Comitê de Apoio aos Cinco Heróis -- que, sim, já estão presos há dez anos -- é coordenado por Max Altmann (PT) e Lilian Vaz (PCdoB) e é muito ativo. Há comitês em todo o mundo.

Na reunião da semana passada, cada pessoa presente ficou encarregada de distribuir o endereço para correspondência (terrestre) para um dos cubanos presos em Miami.

Essa ação -- mandar cartas por correio -- tem sido implementada sem parar, há anos. Visa a manter a prisão sob MONTANHAS de cartas, milhões. É ação guerrilheira e útil, e ajuda os prisioneiros a saberem que não estão sozinhos.

Os que queiram participar, podem escrever para qquer dos nomes acima -- e para todos, se quiserem, mas cartas individuais, uma para cada um, endereçadas para

Antonio Guerrero/Gerardo Hernández Nordelo/Fernando González/Ramón Labañino Salazar/René González.
US Prison FLORENCE
PO box 7000
Florence, CO, 81226
USA

quarta-feira, 11 de junho de 2008



Amigas e amigos, companheiras e companheiros,

peço-lhes, como coordenador do Comitê dos 5 Patriotas, o primeiro comitê brasileiro [constituído em 2001] pela libertação dos cinco cubanos anti-terroristas, presos cruel e injustamente há quase 10 anos em cárceres dos Estados Unidos, o máximo de difusão do material anexo. E mais, juntem-se às manifestações públicas que estaremos organizando nos próximos dias e que serão oportunamente divulgadas.
Trata-se de combater uma brutal e ignominiosa injustiça. As draconianas penas impostas a Gerardo, Ramon, Antonio, Fernando e Rene, somadas, alcançam 4 prisões perpétuas mais 77 anos. E qual o 'crime' que cometeram? Investigar, prevenir, revelar e alertar o governo de Cuba e também dos Estados Unidos dos constantes planos terroristas das organizações contra-revolucionárias sediadas em Miami contra pessoas e bens cubanos.
A decisão do painel de três juízes do Undécimo Circuito Judicial de Atlanta de 4 de junho ratifica, com ressalvas, o veredicto do tribunal de Miami. É público e notório que o processo se desenrolou no ambiente totalmente hostil de Miami, testemunhas e jurados fortemente pressionados, campanha cerrada da mídia, onde o devido processo legal de imparcialidade, ampla defesa, correta análise das provas e justa aplicação das penas, garantido pela Constituição dos Estados Unidos, foi flagrantemente violado.
Aos amantes da justiça, aos defensores dos direitos humanos, aos lutadores contra o terrorismo cabe a urgente tarefa de se juntar ao clamor universal pela libertação dos 5 Patriotas.

Max Altman
Comitê dos 5 Patriotas

_________________________________________________________________________

[começo com as comoventes mensagens de René González e Gerardo Hernéndez, para em seguida reproduzir a entrevista com o dr. Leonardo Weinglass, eminente advogado norte-americano, patrono de Antonio Guerrero]
_____________________________________________________________________________________

Mensagem de René González:

A todos que nos amam

Novamente desaba sobre nós e sobre nossos entes queridos a baixeza daqueles que pretendem, por meio deste caso, satisfazer seus instintos de vingança contra nossa Pátria.
Quando se trata de santificar o terrorismo e os crimes contra o povo de Cuba, políticos, juízes, procuradores e funcionáriuos ada ordem não encontram limites para mentir, distorcer, confabular e fazer troça das leis que dizem representar. Poucas vezes se pôs tão a nu a ficção dos três poderes do Estado, como quando se apela à defesa, a todo o transe, de seus mesquinhos interesses comuns e sacrificam diante deles, solícitos, sua própria vergonha.
Este é o modelo de justiça que se nos pretendem impor, sob o pretexto de nos regatar para a liberdade e a democracia. Ai de Cuba se semelhante coorte de truões, algum dia, recuperasse os tronos do poder, se constituissem em agentes da ordem ou assaltassem o ministério público!
A nossos familiares cujo amor nos sustenta, cuja recordação alimenta nossos espíritos, cujas palavras nos alentam e cujo sofrimento nos dilacera, porém nos compromete, vão nossas expressões de otimismo, a segurança de que nos preservaremos e nossos sentimentos de infinito amor.
Aos nossos amigos em todo o mundo que nos enchem de esperanças, que nos cobrem com seu afeto e que nos oferecem mais carinho do que é possível corresponder, nosso mais profundo sentimento de gratidão e admiração. (g/n)
Ao nosso heróico e nobre povo de cuja história somos depositários, cuja proeza de resistência nos estimula e cuja integridade física e felicidade temos defendido, erguemos a advertência de Che, reiterada desde as entranhas do monstro: "No imperialismo não se pode confiar, mas nem um tantinho assim".
Cerrar fileiras e defender a Revolução, é a única resposta digna a esta canalhice.
Contem conosco.
Hasta la victoria siempre!
_______________________________________________________________________________

Mensagem de Gerardo Hernández:

Enquanto restar uma só pessoa pelo mundo afora resistindo, nós também vamos resistir até que se faça justiça, não importa quantos anos se passem, 30, 40 ou o que for.
______________________________________________________________




Leonardo Weinglass [advogado de Antonio Guerrero, um dos 5 Patriotas cubanos, condenado a prisão perpétua mais 10 anos]:



Há 40 páginas de preconceito ideológico na nova sentença de Atlanta



Um painel de 3 juízes do Undécimo Circuito de Apelações de Atlanta ratificou na quarta-feira, 4 de junho, os veredictos de culpabilidade dos 5 antiterroristas cubanos, prisioneiros em cárceres dos Estados Unidos desde setembro de 1998 e anulou a sentença de três deles que deverão ser novamente sentenciados em Miami. Foram ratificadas as sentenças de René González (15 anos) e de Gerardo Hernández (duas prisões perpétuas mais 15 anos). Neste último caso a decisão do painel foi de 2 a 1. Num voto de 16 páginas, a juíza Phyllis Kravitch afirma que o governo dos Estados Unidos não havia apresentado evidências suficientes para provar que Gerardo era culpado de Crime de Conspiração para cometer assassinato.

Os casos de Ramon Labañino (prisão perpétua mais 18 anos), Fernando González (19 anos) e Antonio Guerrero (prisão perpétua mais 10 anos) foram enviados para que a juíza do Tribunal da Flórida proceda a re-sentenciá-los. Será a juíza Lenard quem deverá convocar uma audiência para emitir a próxima sentença. Lenard foi que prolatou em 2001 as draconianas condenações impostas aos 5. A decisão de 99 páginas da Corte de Atlanta, redigida com uma linguagem politizada, alheia a um texto legal, e que favorece explicitamente a posição do governo, resolveu que “careciam de mérito” os argumentos da defesa com relação às acusações em grau de apelação.

Devido à transcendência do tema, oferecemos abaixo a transcrição literal da entrevista que Arleen Rodriguez manteve com o dr. Leonardo Weinglass, advogado de Antonio Guerrero e membro da equipe de juristas que sustenta a defesa dos 5 Patriotas.



AR – Weinglass, ajude-nos a entender o que diz em síntese as 99 páginas da sentença da Corte de Apelações de Atlanta.

LW – Significam, em suma, que as prisões perpétuas de dois, as de Antonio e de Ramon, foram anuladas e há uma previsão para a re-sentença novamente em Miami ante a juíza Lenard. A sentença de Fernando será reduzida.



AR – No entanto, Ramon e Antonio têm acusações distintas de Fernando. O que significa que sejam devolvidos os três a Miami e o que se poderá esperar?

LW – Quando em 1998 os 5 foram presos, o Pentágono e o Ministério de Justiça deram uma declaração dizendo que a segurança nacional dos Estados Unidos não havia sido violada. Agora, depois de 10 anos de prisão, temos uma afirmação de uma corte de alto nível de que não houve espionagem e que nenhuma informação muito secreta havia sido obtida nem transmitida. Isso assim o recebeu a corte e ainda assim decidiu reenviá-los a uma nova sentença. Porém, não seria, neste caso, prisão perpétua, e eles poderiam, inclusive, regressar a casa.



AR – Por que Gerardo não está incluído nesta revisão?

LW – O caso de Gerardo era o caso mais fácil, de acordo com todos os advogados, e poderia ter sido excluído. Entretanto, embora seu caso seja fácil do ponto de vista legal, do ponto de vista político é o caso mais difícil, devido ao clima político existente em Miami. A Corte não teve coragem de deixar de lado uma condenação por conspiração para cometer assassinato no momento em que 4 residentes de Miami foram as vítimas.



AR – O fato de que a Corte de Apelações de Atlanta ter decidido reenviar a Miami, no caso de Ramon, de Fernando e de Antonio, significa que exageraram nas condenações e isto já se constitui em prova de má conduta. Não seria absurdo então que se devolva à própria juíza que impôs penas tão elevadas?

LW – É desafortunado. Nesta decisão de 99 páginas encontra-se que a juíza Lenard cometeu erros ao sentenciar Fernando, cometeu erros ao sentenciar Antonio, cometeu erros ao sentenciar Ramon, cometeu erros nas instruções que deu ao jurado sobre Gerardo e, de acordo com dois dos nossos três juízes, cometeu erros ao negar a mudança de sede. Apesar destes seis ou sete erros sérios, a Corte devolve o caso à juíza Lenard.



AR – Que recursos judiciais sobram?

LW – Temos sim recursos disponíveis. Em primeiro lugar podemos, de imediato, em 24 de junho, pedir a estes três juízes, que reconsiderem sua decisão à luz de muitos dos erros que cometerem nesta decisão exarada, e vamos fazer isto. Se eles não reconsiderarem este arrazoado, teremos então o direito de ir à Corte Suprema dos Estados Unidos para reconsiderar todos ou alguns dos assuntos que temos apresentado, inclusive o foro, a má conduta da Procuradoria, a insuficiência de evidências contra Gerardo e outros assuntos que a Corte de Atlanta decidiu, inclusive o uso de um procedimento secreto entre a juíza e a Procuradoria contra os 5, e também de manter provas secretas que poderiam ter sido entregues à defesa.



AR – Essa sentença se dá num momento em que o povo norte-americano está concentrado no tema eleitoral e talvez não preste atenção a outros assuntos como, ao lado do caso dos 5, outro que chamou a atenção, o possível indulto a Luis Posada Carriles, que está livre nas ruas de Miami, e a gente se pergunta se a equipe de advogados levou em conta a dupla moral do governo estadunidense com relação ao terrorismo, que se torna visível tanto no tratamento do caso dos 5, que são lutadores anti-terriristas e estão presos e não há sentença

Absolutória, e a libertação de um terrorista confesso como Posada Carriles. Isto é levado em conta nas apelações dos advogados?

LW – Na realidade esta contradição, que é muito clara nos fatos que você citou, não está disponível nos autos do caso; no entanto, no voto original do primeiro painel que mereceu nossa apelação, os juízes escreveram uma nota de pé de página na qual se referem a Carriles e então os mencionam como terrorista. Infelizmente, neste voto de 99 páginas não existem essas referências.



AR – Este veredicto coincide com a data de 4 de junho, aniversário de Gerardo. O fato de que o Tribunal confirma a condenação para uma das acusações mais frágeis de todo esse processo, que é a conspiração para cometer assassinato e, em geral, as acusações contra Gerardo, parece um ato deliberado de crueldade contra este jovem lutador antiterrorista. Como o senhor vê esta questão?

LW - Talvez não haja aí um mero acidente. As pessoas inclusive o tomam em conta como uma intenção insensível contra um homem que serviu honradamente seu país. Não obstante, quando você lê todo o voto prolatado, em particular as primeiras 40 páginas, para nós, como advogados, está bem claro que há um preconceito ideológico no texto. E o fato de exarar a decisão no dia do aniversário de Gerardo, pode ser visto como você sugere: um ato intencional.



AR – Que razões poderia nos dar um advogado como Leonardo Weinglass para que possamos seguir acreditando que existe alguma possibilidade de que triunfe a justiça no sistema legal norte-americano, no caso dos 5?

LW – Lamentavelmente, este caso é uma dessas situações em que creio o governo dos Estados Unidos estar utilizando seu sistema de justiça para perseguir um objetivo de política exterior. É por isso a diferença com o caso de Posada Carriles e entre este caso e o caso dos 5. Quando isto sucede historicamente e se revela esta existência de preconceito político, os norte-americanos sentem um grande sentimento de vergonha nas leis e na confiança do sistema de justiça, nos tribunais de justiça.



AR – Se tivesse de dizer numa única frase que opinião merece esse veredicto de 4 de junho ...

LW – Pelo menos Gerardo deveria ter sido absolvido de todas as condenações e todas as prisões perpétuas deveriam ter sido revogadas. Ou seja, ganhamos uma parte pequena do caso por ora, contudo o assunto da sede ainda está vivo e o vamos apresentar novamente ante a Corte Suprema, e, afortunadamente, vamos começar o trabalho de base a fim de que os 5 regressem as suas casas. Estamos preparados para continuar lutando e com sorte vamos conseguir, como o fizemos anteriormente, e como vamos fazer e devemos fazer no futuro. Nós ganhamos a revogação das prisões perpétuas, e isto é uma vitória bastante significativa. Todavia, estamos realmente bastante defraudados por não ter ganhado a parte mais débil do caso apresentado pela Procuradoria, e devíamos tê-la ganhado.



AR – Que é a acusação três, não é mesmo?

LW – Sim, a acusação três. Qualquer advogado que revisse esta acusação, inclusive os procuradores, teriam concluído que não se podia ter perpetrado uma condenação com base na evidência que se apresentou. Um dos juízes escreveu um voto de 16 páginas, e muito claramente, e de forma bastante enérgica e pouco usual, por uma juíza de 85 anos, que foi durante quase um quarto de século, juíza federal de apelações. É um ato ou uma ação histórica levada a efeito por uma juíza na acusação que inclui a conspiração para cometer assassinato. Ela é uma das líderes mais reconhecidas do sistema de tribunais dos Estados Unidos.



AR – É a juíza Kravitch?

LW – Si, Kravitch. Ela foi nomeada por Carter, um homem que crê mais nos direitos humanos que muitos dos outros líderes nacionais. Ela a escolheu de uma corte ou tribunal muito pequeno, na Geórgia, onde ela exercia o direito apesar de se ter graduado com melhor desempenho que seus companheiros de escola, em uma das faculdades de direito mais prestigiosas nos Estados Unidos. Porém ela não encontrava trabalho em nenhum grande escritório de advogados porque era mulher. Ela entende claramente o preço que as pessoas têm de pagar quando são vítimas de um preconceito, e creio que ela traz isto ao seu trabalho como juíza.


População cubana indignada com sentença do Tribunal de Atlanta

Editada dia 05/06/08

Os cubanos amanheceram hoje indignados ao conhecerem a sentença negativa do Décimo Primeiro Circuito da Corte de Apelações de Atlanta, Georgia, contra a liberação de cinco anti-terroristas presos nos Estados Unidos por monitorar ações de grupos extremistas que desejam uma guerra entre Cuba e Estados Unidos, disse WDS.

No ato nacional do 8 de junho, Dia do Jurista Cubano, que pelo segundo ano consecutivo foi celebrado na oriental província de Granma, a jovem advogada Alina Medina lembrou que Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, René González, Ramón Labañino e Fernando González (Os Cinco) "trabalhavam nos Estados Unidos para conhecer os planos desenvolvidos nesse país, por grupos terroristas, contra o povo da ilha".

Medina acrescentou "que a Administração de George W. Bush fortaleceu a política agressiva até Mayor de Las Antillas, e multiplicou os recursos destinados à contra-revolução interna".

Ontem, essa Corte de Apelações, formada por três juízes, tornou pública sua sentença, negando os recursos da apelação da defesa dos Cinco, confirmando assim todas as acusações pelas quais eles tinham sido considerados culpados, incluindo as acusações de conspiração para cometer espionagem e a acusação de conspiração para cometer assassinato.

As condenações contra Antonio, Ramón e Fernando foram reenviadas ao Tribunal de Distrito em Miami que originalmente os julgou, para outra sentença. Jorge Mesa, professor de inglês, disse que "Bush e a direita se prepararam, desde a fraude contra Al Gore, para dominar o polêmico sistema judicial estadunidense, que por um lado tem preso cinco honestos homens que lutavam por salvar também vidas norte-americanas e por outro absolve o conhecido terrorista Luis Posada Carriles".

Os cubanos souberam da notícia quando Randy Alonso, coordenador do programa informativo da televisão Mesa Redonda, leu um texto, ao final do espaço de cabo da agência espanhola EFE, no qual um painel de três juízes ratificou os veredictos de culpa e ditou que todos os argumentos apresentados contra a declaração de culpa dos Cinco "precisavam de mérito".

Por: Eduardo Maza
Fonte: WDS